#AnittaIsOverParty? Quando a presença digital atrapalha o discurso da marca

O tempo foi passando…

 

⧗ 18h40: 30.818.501 seguidores

⧗ 18h45: 30.818.366 seguidores

⧗ 18h50: 30.818.306 seguidores

⧗ 19h00: 30.817.909 seguidores

Durante os 15 minutos que fiquei anotando os dados de seguidores , vi 592 pessoas pararem de seguir o perfil da Anitta por causa da polêmica de hoje. O dia inteiro, a hashtag #AnittaIsOverParty ficou em 1º lugar nos Trend Topics do Brasil e 3º, no Mundial (até o momento desta publicação).

Enquanto via o número da tela cair, fiquei pensando sobre o quanto a presença digital de uma marca (no caso, a marca “Anitta”) pode gerar  conteúdo. Um simples follow ~inocente~ em momento inoportuno representou uma verdadeira traição para a base: “então quer dizer que o que vivemos juntos até aqui foi mentira?”

Como a minha intenção não é ser repetitiva sobre tudo que você já possa ter lido sobre o assunto, vou explicar rapidinho a situação, pois meu interesse é na análise e learning:

  • na semana passada: os fãs já haviam pedido #AnittaDigaNaoAoFascismo pedindo para ela boicotar o candidato à presidência, Jair Bolsonaro, que já fez comentários racistas, homofóbicos e machistas;
  • durante essa semana: vários famosos e artistas publicaram a hashtag #EleNão no Twitter e Instagram avisando que não votariam no candidato, mas sem revelar o voto;
  • hoje: Anitta seguiu o perfil da ativista pró-candidato Flavia Perez, alegou que era amiga de longa data e que não ia comentar nada sobre o voto, causando revolta nos fãs.

Vamos conversar agora sobre alguns aprendizados que podemos ter com essa contradição do seu discurso de marca até agora?

“Não é por que eu sou uma artista e tenho uma vida pública que eu sou obrigada a dizer qual é o meu voto”

De acordo com o nosso Código Eleitoral, o voto é secreto mesmo, Anitta. Nesse ponto, você está certíssima! Mas é que, na era digital, onde o Stories vai, lentamente, substituindo o Reality Show, parece incoerente que você considere seu perfil, com mais de 30M e em modo Business, uma rede particular e privada, onde ninguém vai interpretar nada nas entrelinhas. O mais importante agora é mapear o que aconteceu e aprender com a situação, sem grandes julgamentos:

 

Cada ação pública na internet subentende uma possibilidade de julgamento externo. 

Aristóteles já dizia que somos seres políticos, mas não por votarmos e termos escolhido a Democracia. Essa frase é importante pois regula um dos principais sentidos da vida humana coletiva: em sociedade, suas escolhas pressupõem uma possível influência nas diversas esferas públicas.

Comprar de X e não de Y já é, por si só, uma decisão política. Seguir X e não Y, também. Seguir hoje, mês passado ou daqui a alguns dias também é uma mensagem. Não há como provar que um follow não influencie o voto de alguém. As pessoas seguem influenciadores que as inspiram. Será que essa ação não pode ter sido a gotinha que faltava pro copo de decisão de alguém entornar?

 

Timing is the key – duvida que tudo tem seu tempo?

Existe um motivo para o qual muitos gênios, atualmente, conhecidos tenham sido considerados muito adiantados para o seu tempo: é necessário que a audiência esteja preparada para receber a mensagem e que faça sentido para o conteúdo que está sendo produzido no momento, ou que você corrompa as expectativas.

Faltou, nesse case, além de uma minimização do poder de influência, uma falta de sensibilidade quanto ao momento político da sua audiência. A comunicação digital acontece como conversa, uma troca de informações, pergunta e resposta. Não existe espaço para falta de tato ou desconsideração do que está sendo gritado falado para você.

Não dava para esperar uns diazinhos para seguir essa amiga de 8 anos, Anitta?

 

Também é importante falarmos de território de marca.

Wikipédia diz que território de marca é: “o espaço do mercado onde a marca é legítima. A noção de território de marca está muito entrelaçada às políticas de extensão de marcas.”

OMG! O que isso significa?

Significa que a marca possui, no seu discurso, um tom de voz e uma linha de pensamento, e isso inclui vários conceitos e realidades. Por isso, muitas empresas têm dificuldade em levantar uma bandeira: uma vez que você inclui, no seu repertório, o ativismo social, você não quer parecer que está se aproveitando de uma causa para gerar mais dinheiro (procure um pouco sobre “Pink Money”), como se estivesse “pegando carona” na motivação alheia.

Vários cantores americanos, recentemente, assumiram posicionamentos ousados durante a eleição de Trump, nos EUA. Ao invés de alienarem o público, eles provaram que seus argumentos eram reais e eles se importavam, verdadeiramente, com a causa, fazendo um casamento perfeito entre discurso (conteúdo) e presença digital (ação).

Anitta, mesmo, já tratou, diretamente, sobre política criticando um projeto de lei que definia o funk como crime de saúde pública, mas agora ela se recusa; então, os fãs estão duvidando de sua autenticidade, e não estão acanhados em levantar seus pontos de vista:

 

Edit: Anitta se pronunciou sobre o assunto oficializando uma posição… antes tarde do que nunca? Será que os fãs vão pensar isso?

 

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