A gramática VISUAL dos… textos? Tudo que você precisa para dominar essa arte

Antes que você se assuste, vou copiar um trecho do meu outro artigo:

Gramática nada mais é do que a estrutura que faz a ordenação do pensamento.

Ou seja, aquilo que ordena tudo pra fazer sentido.

Quando eu fui formar minhas primeiras equipes, percebi que a noção da organização visual dos elementos fora da imagem não é algo tão óbvio. Quando eu explico, a clareza do que elas já fazem inconsciente pode trazer essa noção de obviedade, assim como a 3ª lei de Newton trouxe pra diversas pessoas na minha turma (“eu achava que estava sendo empurrado quando empurrava, mas não sabia que era real”).

Por isso, quando percebi a teoria da Gramática Visual dos Textos achei que existira uma infinidade de materiais falando isso… não achei nenhum certeiro, no ponto que queria argumentar, então resolvi vir logo te explicar como escrever para a internet É muito visual.

Subvertendo o sistema

Ao contrário da gramática visual, aqui vamos considerar o texto um… desenho.

Como ótimo exemplo temos uma linguagem sagrada que surgiu há muito tempo (4.000 ac): o Hieróglifo, que se comporta da forma gramatical de uma linguagem, mas não deixamos de ver que são desenhos ali.

Na escrita por meio de pictogramas, cada desenho ou imagens individuais traduziam uma ideia em si, mas se baseavam nas associações como forma de gerar os sentidos.

Em determinado momento, adotamos certos sinais como forma de linguagem e instauramos o processo de alfabetização: antes daquele dia você desenhava muito bem pra professora, mas, a partir daquele dia, o seu “desenho” ganhou um novo sentido, existe certo e errado, um conjunto de significados únicos que você vai demorar até romper. Esses novos “desenhos” são as letras.

Ponta pé digital

A minha teoria é que, como a parte mais imagética do nosso cérebro é extremamente ativada online, precisamos tomar cuidado com a forma que o texto ganha.

Escrever assim
E s c r e v e r a s s i m
ESCREVER ASSIM
escrever assim

A mesma frase, 4 percepções diferenciadas por:

  • ritmo de leitura
  • senso de urgência
  • espaço ocupado
  • desenho gráfico formado
  • limitações nativas

O ritmo se dá na música pelo preenchimento do tempo que vai até 8. Na internet ele é medido pela quantidade de pausas que podem ser: espaços, vírgulas, travessões, pular linha, trazer grifos, emoji no meio do texto… tudo que possa ser uma divisão mental.

A internet tem vários sensos de urgência indo do emoji até a caixa alta, passando por pontuação excessiva. Mas a ausência desses elementos traz tantos códigos quanto sua presença.

Antes de ler o texto o cérebro já faz um avaliação da sua situação e confere o quão vai ter que se esforçar pra finalizar aqui. Aí entra o ódio aos textões, sacou?

Uma forma de ajudar a leitura de texto extensos é quebrar o máximo possível em parágrafos cursos e criar mais pausas pra leitura.

Cada letra tem seu próprio desenho, e a serifa importa, então fique de olho se você usa muitas palavras grandes, que podem, excepcionalmente, trazer essa sensação de que a leitura será demorada; que faz com que o leitor passe menos tempo naquele texto.

Além disso, existe uma necessidade de que o texto seja o mais nativo possível, observando suas limitações. Por exemplo, não fique chateado se o lado cu-

rioso do texto ficar após o “Saiba Mais” da legenda do Instagram e ninguém responder o CTA. As primeiras palavras vão, após o convencimento da imagem, conseguir fazer alguém gastar mais tempo naquela legenda.

Nada aqui é errado, mas quando a gente transgride algo com conhecimento de causa, a transgressão é mais certeira no seu objetivo.

Ah! Com essas dicas em mão, continue repensando as formas da leitura visual do seu texto, que tenho certeza que vai criar suas próprias regras 😉

 



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